
Abner Neves – vice coordenador geral, Pedro Lucas Fontoura – coordenador geral, Bianca Zanoli – Diretoria de Articulação, Yago Falcão – Secretaria geral
A nova gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Espírito Santo tomou posse no último dia 25 de março, após uma eleição marcada por debates intensos e uma disputa acirrada entre duas chapas. A chapa vencedora, “Pra Fazer Valer”, conquistou a direção da entidade com uma diferença de 200 votos, demonstrando a polarização entre os projetos em disputa. A nova gestão é composta por estudantes ligados à Juventude do PT (JPT), Levante Popular da Juventude e ao Movimento Participa, da JSB – juventude do PSB –, sinalizando uma composição que busca diálogo entre diferentes forças do campo progressista.

Pedro Lucas Fontoura – Coord. Geral, Bianca Zanoli – Diretora da Articulação
Durante o processo eleitoral, travou-se um intenso debate sobre os rumos da entidade e o papel que o DCE deve desempenhar. De um lado, a chapa eleita defendeu a continuidade de uma atuação política mas com diálogo institucional, com foco em propostas concretas e ações voltadas para a permanência estudantil e a garantia dos direitos humanos. Do outro, a chapa adversária, “Na Luta é que a Gente se Encontra”, composta por coletivos como Fogo no Pavio (Psol), UJC (PCB) e Correnteza (UP), propôs um modelo de atuação que prometia ser mais combativo. A campanha evidenciou não só divergências táticas, mas visões distintas sobre a função da entidade na vida política universitária.
Pedro Lucas Fontoura, estudante de Direito e militante do Movimento Enfrente – ligado à JPT e atual presidente do Centro Acadêmico Roberto Lyra Filho –, foi eleito coordenador geral da entidade. Ele destacou a necessidade de construir pontes dentro do movimento estudantil e trabalhar de forma unificada: “Esperamos fazer uma gestão que vá garantir entregas significativas aos estudantes, e isso se dará trabalhando em pautas de consenso no movimento estudantil. Nosso objetivo é integrar e organizar cada vez mais os estudantes de todos os campi da UFES”, afirmou.
Apesar da vitória, a eleição foi marcada por tensões. A anulação das urnas do Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN), por suspeita de fraude atribuída à chapa 2, gerou protestos por parte da chapa derrotada, que questionou a decisão da Comissão Eleitoral, a qual apontou irregularidades nas atas. Durante a apuração, a Polícia Militar chegou a ser acionada pelo campus e a sala foi invadida por apoiadores da chapa 2, que abriram as urnas do CCHN e realizaram, por conta própria, a contagem dos votos. Mesmo com essa apuração paralela, o resultado confirmou a vitória da chapa 1, “Pra Fazer Valer”. Em nota publicada nos perfis oficiais do DCE, a Comissão Eleitoral reforçou a legalidade de suas decisões e afirmou que as medidas foram tomadas com base em falhas nas listas de votação e nas atas, todas identificadas na presença dos fiscais das duas chapas e diretores da União Nacional dos Estudantes.
A nova gestão do DCE-UFES assume com o desafio de representar um corpo estudantil diverso e politicamente ativo, num cenário nacional complexo, com necessidade de fortalecimento da organização estudantil. O compromisso da chapa “Pra Fazer Valer” será, agora, transformar as propostas de campanha em ações concretas que dialoguem com a realidade dos estudantes da UFES nos quatro campi da UFES.
por: Emanuel Couto/ Foto: Divulgação


