
Com novos projetos sendo contratados e a expectativa de reestruturação da cadeia produtiva, a construção naval brasileira se prepara para discutir um dos principais entraves à retomada do setor: o acesso ao crédito. A proposta de criação de um fundo garantidor específico para a indústria será debatida no dia 19 de agosto, a partir das 14h, no painel “Financiamento à construção naval”, durante a Navalshore 2025 – Feira e Conferência da Indústria Marítima, que será realizada de 19 a 21 de agosto no ExpoRio Cidade Nova, no Rio de Janeiro (RJ).
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) já atua de forma segmentada em parceria com Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ampliar o uso do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), voltado a micro, pequenas e médias empresas. Desde 2023, quase R$ 70 bilhões em projetos foram priorizados e R$ 7,2 bilhões contratados via Fundo da Marinha Mercante (FMM), com impacto direto em 669 obras e geração de mais de 43 mil empregos, segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Dino Antunes. “Estamos criando um ambiente favorável à expansão da base industrial, com foco na construção de embarcações de passageiros e pesca, além de apoiar projetos inovadores, como o de conversão de um PSV para uso de bicombustível diesel/etanol”, afirma.
Do lado do setor produtivo, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) defende a criação de um novo fundo garantidor exclusivo para estaleiros. “Mesmo com recursos disponíveis, muitas operações não se concretizam por falta de garantias. Um fundo próprio pode destravar dezenas de bilhões em projetos”, afirma Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval. Ele lembra que após o colapso da Sete Brasil, o mercado segurador passou a impor restrições severas aos estaleiros brasileiros, inviabilizando a contratação de seguros como performance bond (garantia de cumprimento contratual), builder’s risk (seguro de risco da obra) e downpayment (pagamento antecipado). “Estaleiros com pleno histórico de entrega enfrentam recusas de até 12 seguradoras nacionais e internacionais. Isso acaba inviabilizando a contratação de seguros exigidos para projetos de grande porte, como os previstos pela Petrobras.”
Para Rocha, o setor vive um ponto de inflexão. “Há uma demanda concreta por novas embarcações e um esforço coordenado entre governo, estaleiros e fornecedores. Com previsibilidade e financiamento adequado, a indústria naval pode retomar seu papel estratégico para a soberania energética e o desenvolvimento industrial do país.”
Além do MPor e do Sinaval, participarão do painel representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Caixa Econômica Federal, da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo, do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima, da Austral Seguradora e do escritório Costa, Albino & Rocha Advogados, reforçando o debate sobre soluções financeiras para o setor.
Considerada o principal encontro da indústria marítima da América Latina, a Navalshore 2025 reúne estaleiros, fornecedores, governo e investidores. Para o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, a feira é “um espaço estratégico de articulação entre estaleiros, fornecedores, governo e investidores”. Já o secretário nacional de Hidrovias e Navegação do MPor, Dino Antunes, ressalta que a Navalshore é “um espaço essencial para discussões sobre as diversas temáticas da indústria de construção naval brasileira”.
_____
Serviço:
Navalshore – Feira e Conferência da Indústria Marítima
Data: 19 a 21 de agosto de 2025
Local: Expo Rio Cidade Nova (antigo Expo Mag) – Rua Beatriz Larragoiti Lucas, s/nº, Cidade Nova, Rio de Janeiro – RJ – Brasil
Horário: das 13h às 20h
_____
Conferência – 19 de agosto
14h | Painel: Financiamento à construção naval – Como ampliar o acesso aos recursos do Fundo da Marinha Mercante. A criação de um Fundo Garantidor nos financiamentos do FMM.
PAINELISTAS
Lilian Schaefer
Representante da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (ABEAM) e do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (SYNDARMA)
Dino Antunes Dias Batista
Secretário Nacional de Infraestruturas e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor)
Carlos Frederico Ferreira
CEO da Austral Seguradora
Daniel Bonavita
Head do Escritório de Infraestrutura da Caixa Econômica Federal
Elisa Lage
Chefe do Departamento de Gás, Petróleo, Navegação e Descarbonização do BNDES
Ariovaldo Rocha
Presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval)
Moderador
Bernardo de Senna
Sócio da CAR – Costa, Albino & Rocha Advogados
16h | Debates
Por: Karla Rúbia / Giselli Nichols


